
Dos 25 principais periódicos dos Estados Unidos, todos registraram diminuição na circulação, exceto o The Wall Street Jornal, que teve alta de 0,6%, conforme os números da Audit Bureau of Circulations. Para os outros veículos, o declínio variou de 20,6%, para o New York Post, a uma pequena queda de 0,4% para o Chicago Sun-Times. Tanto o The Post quanto o The Journal são propriedades da News Corp., o conglomerado de Rupert Murdoch.
Os novos números de circulação "não são muito bons, e provavelmente são um pouco piores do que o esperado", disse Rick Edmonds, analista da ativi-dade de mídia do Poynter Institute, uma organização sem fins lucrativos que controla o St. Petersburg Times na Flórida. Edmonds disse que previa queda global de 5,5%.
Os números, que se baseiam nos relatórios produzidos pelos jornais, mostrou a contínua migração de leitores para a internet e, em alguns casos, o esforço feito pelas empresas para se livrarem da circulação de jornais não rentáveis.
"Não se pode negar que isso demonstra que as pessoas estão desistindo dos jornais impressos e lendo-os na internet", disse Edmonds. "Mas há outros fatores que devem ser analisados".
Entre esses fatores, diz, estão as reduções dos jornais conhecidas no setor como "junk circulation" - coisas como distribuição gratuita de veículos nas feiras setoriais ou escolas. Ao mesmo tempo, afirma, alguns jornais reajustaram o preço para elevar a receita com seu núcleo de leitores, enquanto abandonam as ofertas iniciais de exemplares mais baratos para atrair clientes.
Orçamento
Essa foi a explicação oferecida por Alan Fisco, vice-presidente de circulação e marketing do Seattle Times, num memorando distribuído recentemente para sua equipe sobre o declínio de cerca de 8% na circulação. "A maior parte dessas perdas se deve às decisões de orçamento que fizemos ao longo de 2008 e no início deste ano em resposta à recessão econômica", ele escreveu. "Tomamos essas decisões da forma mais estratégica possível, com o objetivo de minimizar o impacto para nossos leitores e audiência enquanto preservamos nosso serviço essencial de entrega domiciliar".
Em 395 jornais diários, a circulação nos dias úteis declinou 7,1% no período de seis meses terminado em 31 de março, em comparação com igual período do ano anterior. A circulação aos domingos, para 557 jornais diários, registrou baixa de 5,37%.
O The New York Times relatou queda menor do que a média do setor, já que a circulação nos dias úteis recuou 3,6%, para 1.039.031 exemplares, em relação a igual período do ano anterior.
O Times, que na semana passada relatou perda trimestral de US$ 74 milhões, informou que a receita de circulação teve pequena alta, refletindo o aumento dos preços.
Se a circulação dos jornais há muito está em declínio, os números mais recentes mostram aceleração da queda. Nos dois períodos semestrais anteriores, a circulação nos dias úteis caiu 4,6% e 3,6%, respectivamente.
Ranking
O USA Today, que há muito resiste às tendências de redução de circulação, relatou queda de 7,5%, em parte porque alguns hotéis reduziram o número de jornais gratuitos entregue nos quartos. O USA Today continua sendo o maior periódico do país em circulação, com pouco mais de 2 milhões de exemplares diários. O The Wall Street Journal e o The New York Times vêm na sequência.
Os dois maiores tablóides de Nova York, que nos últimos anos travaram batalhas de distribuição, relataram quedas excessivas na circulação nos dias úteis. A circulação caiu mais de 20% no New York Post e 14,3% no Daily News. Uma nota do New York Post atribuiu o declínio ao aumento do preço do tablóide, de US$ 0,25 para US$ 0,50.
Fonte: (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 10)(Tim Arango/The New York Times)