
De acordo com consultor Fábio Bartolozzi Astrauskas é fundamental que todos colaborem diante situações de conflito
Em um processo de recuperação de uma empresa em crise é importante que haja transparência com os stakeholders, que podem ser divididos em cinco grupos: os financeiros, os fornecedores, os clientes, os empregados e os próprios acionistas. Essas entidades, por sua vez, devem ter a mesma postura em relação à consultoria responsável pelo plano de reestruturação da companhia.
“Não deve haver limite de transparência no que se refere à atividade da empresa, afirma Fábio Bartolozzi Astrauskas, sócio da Siegen, consultoria especializada em recuperação de empresas em crise e sucessão familiar. O consultor afirma também que, para se manter a clareza, é necessário que as negociações sejam do conhecimento de todos os envolvidos. Os condutores só podem passar a fazê-las individualmente no momento em que todos os stakeholders tiverem um panorama igual sobre a crise. “Nossa experiência mostra que desta forma você consegue uma participação maior. Quando você mostra que a empresa está realmente em crise e que não vai sair dessa situação negociando individualmente, aí é que você consegue fazer com que as pessoas fiquem dispostas a colaborar”, diz Astrauskas.
No entanto, o especialista explica que não deve ser mostrado apenas o problema, mas também devem ser apresentadas alternativas para solucioná-lo. Os ruídos na comunicação e rumores incertos também podem por em risco essa negociação com os envolvidos. É necessário apresentar um plano de ação e colocar patamares de negociação que estabeleçam balizadores de possibilidade de negociação, de acordo com a característica que cada um assumir.
“Se você não fixa condições e não mostra o projeto, torna-se muito difícil levar essa situação sem ter conflitos muito grandes ao longo de todo o processo, pois cria-se uma insegurança muito maior. Quando se estabelece as regras logo no início, a empresa se posiciona e a chance de conflito é menor”, avalia Astrauskas.
Além da transparência e do envolvimento dos stakeholders, um dos fatores que auxiliam nesse processo é a recuperação judicial, pois ela garante que a empresa estará protegida, durante algum tempo, dos principais motivos de pressão, que são as ações, os pedidos de falência, entre outros.
A nova Lei de Falências, que entrou em vigor em julho de 2005, começa a ser entendida pelos vários grupos de pessoas envolvidas na rotina de uma empresa, e, com isso, esses envolvidos deixam de brigar judicialmente e passam a perceber que conversar entre si e formar uma opinião é a melhor saída para a reestruturação. “Num primeiro momento, essas entidades estavam muito dispersas, mas agora passam a perceber que devem se unir. Bancos e auditorias têm auxiliado nesse processo. Os credores estão se juntando e negociando de uma maneira melhor para todos. Esse é o espírito da nova Lei”, conclui Astrauskas.
Fonte: Fábio Bartolozzi Astrauskas é sócio da consultoria Siegen. O especialista defendeu tese na Universidade de São Paulo tendo como tema a nova Lei de Falências e a importância da recuperação das empresas. É membro do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Na área acadêmica, foi professor adjunto do Centro Universitário FMU, na Faculdade de Economia entre 1993 e 1999.
Sobre a Siegen
Criada há 11 anos pelos economistas Augusto Paes Barreto e Fábio Bartolozzi Astrauskas, a Siegen é uma consultoria especializada em recuperação de empresas em crise e sucessão familiar. Atualmente, a empresa trabalha com 12 companhias em recuperação judicial. (www.siegen.com.br).
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