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Defensores e entidades realizam, dia 01/09, marcha pela valorização da Defensoria Pública de SP

Estado tem um defensor para cada 58 mil potenciais usuários e paga uma das menores remunerações do país para defensor

  • A APADEP - Associação Paulista de Defensores Públicos, em conjunto com diversas entidades que integram o Movimento pelo Fortalecimento da Defensoria Pública, realiza no próximo dia 01 de setembro uma marcha pela valorização da Defensoria Pública de São Paulo.
  • O ato começará às 9h na avenida da Liberdade, 32, em frente à unidade Central da Defensoria. De lá partirá uma passeata até a Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo, no Pateo do Colégio, onde será feita a entrega ao governo do Estado do Manifesto em Apoio à Defensoria Pública, pela efetivação do direito de acesso à justiça, assinado por diversos juristas, parlamentares e cerca de 100 entidades.
  • Criada em 2006, a Defensoria Pública de São Paulo ainda não tem o número suficiente de Defensores para atender à demanda por serviço jurídico gratuito no Estado. Hoje há apenas 400 Defensores Públicos que fazem a defesa gratuita da população carente nas áreas civil e criminal. Para cada defensor público existem 58.130 potenciais usuários. Com esse pequeno número de defensores, a Defensoria está presente em apenas 22 das mais de 360 comarcas do Estado.
  • De acordo com a presidente da APADEP, Juliana Belloque, onde a Defensoria não possui postos de atendimento ou não consegue atender com integralidade à população, advogados particulares, que não prestaram concurso, realizam esse serviço público essencial mediante remuneração do poder público, através do Fundo de Assistência Judiciária – FAJ. Os gastos com o convênio da OAB atingiram, em 2007, a marca de 272 milhões. “Com esse valor seria possível quadruplicar a atual estrutura da Defensoria Pública, atendendo-se a toda a demanda do Estado com um serviço público de qualidade”.
  • Além disso, a remuneração do Defensor Público de São Paulo é uma das menores do país. O Estado paga um salário inicial de R$ 5.045,42, passando à frente apenas do Tocantins, Sergipe, Acre, Espírito Santo e Pernambuco, com remunerações muito próximas. No topo do ranking está o Rio de Janeiro, onde um defensor em início de carreira recebe R$ 19.955,31. A segunda maior remuneração inicial para os Defensores é paga pelo Estado de Alagoas (R$ 17.251,46). Estados como Piauí, Mato Grosso do Sul e Amazonas pagam, respectivamente, R$ 12.749,47, R$ 11.000,00 e R$ 8.019,00. Em comparação com a remuneração de juízes e promotores de justiça, um defensor público em São Paulo recebe quase quatro vezes menos.
  • “Este ato tem como objetivo chamar atenção para esses dados alarmantes no Estado de São Paulo que transformam o direito de acesso à justiça da população carente em letra morta na Constituição. A sociedade civil e os parlamentares estão engajados no fortalecimento desse serviço público essencial, é o momento do governo sensibilizar-se com a questão”, afirma Juliana Belloque.

 

Sugestão de fonte: Juliana Belloque - Defensora Pública do 1º Tribunal do Júri da Capital desde 2004. É Mestre e Doutora em Processo Penal pela Universidade de São Paulo, com a orientação da Ministra do Superior Tribunal de Justiça, Maria Thereza Rocha de Assis Moura. Presidente da APADEP - Associação Paulista de Defensores Públicos de São Paulo.

 

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